quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ritmo Segunda Parte


Ritmo segunda parte: Oito Pilares para uma Cultura Familiar Saudável


As três partes do ritmo incluem o ritmo para em mesmo (é tão difícil defini-lo para a nossa família se não tivermos nenhum ritmo que faça o nosso dia-a-dia, a semana, o mês, o ano!), o ritmo para os membros da família e animais de estimação, e ritmo para as coisas da casa (um plano de cuidados para as coisas porque todas as coisas precisam de manutenção!)

Hoje nós estamos a falar para SI. Muitas mães vêem-me dizer que têm muita dificuldade com o ritmo, começando pelo sono, pela hora a que se levantam.

A fim de nos levanta e definir o ritmo para a nossa família, temos de ir para a cama. Isso, é claro, mas às vezes não é tão simples como parece. Às vezes à noite, nós ficamos imensamente felizes por ter algum tempo sozinhas, ou algum tempo com o cônjuge, se se for casada e então estamos até acordadas até bastante tarde, além de sermos acordadas durante a noite pela criança que teve um pesadelo e não consegue voltar a dormir / a criança que está inquieta / o bebé que ainda acorda durante a noite. Então, achamos difícil levantarmo-nos, levantamo-nos de rompante, pois as crianças estão acordadas e a correr por aí, e depois não conseguimos tomar um banho ou arranjarmo-nos antes delas.

Sim, já estive aí, já passei por isso. Há um post interessante sobre o valor de levantarmo-nos cedo aqui: http://waldorfjourney.typepad.com/a_journey_through_waldorf/2011/01/when-i-.html

Ir para a cama cedo é o melhor seguro que temos no caso de alguém acordar a noite toda. Levamo-nos e, em seguida, entrar no chuveiro deve ser primeira coisa que fazemos, a não ser que seja parte do nosso ritmo tomar um banho ou duche à noite, isso também é importante. O nosso auto-cuidado tem que vir em primeiro lugar, (e por agora só estou a falar da higiene pessoal pura), eu acho que, especialmente se tivermos vários filhos ou crianças mais velhas, é mais fácil tratarmos de nós mesmas em primeiro lugar. Se tiverem uma experiência diferente, por favor, deixe-a na caixa de comentários abaixo! Eu adoraria ouvir a perspectiva de todos!

Então, aqui fica apenas uma lista de perguntas ao acaso para ajudar-nos a pensar:

- A que horas se deita para dormir? A que horas precisa na realidade ir para a cama?

-A que horas acorda de manhã? O que está a acontecer na sua casa nesse momento já tem a sua família à porta?

-Quando é a altura para a sua higiene pessoal? O que faz para cuidar se si? Como cuida da sua pele, do seu cabelo, dos seus dentes?


-Quando faz exercício?

-Quando vai comprar roupa? Há um ditado que diz que os sutiãs realmente não devem passar por um aniversário, que eles precisam de ser frequentemente substituídos, e isso faz-me pensar em quantas mães estão por aí, ainda a vestir velhos sutiãs, roupa interior que está velha, e nunca compram roupa para si mesmas, quer devido a finanças ou por ser difícil levar vários filhos às compras.

Quantas vezes, ao longo de um mês ou em cada quinze dias, programa consultas suas de dentista, médico, ou cabeleireiro? Vejo mães que raramente, ou nunca, têm esses tipos de compromissos.

E aqui estão alguns pensamentos de "as variáveis":

Como o bebé ou criança dorme, co-dorme / que impacto isso tem no levantar-se?

Qual é a sua atitude sobre o madrugador em casa e como lida com isso?

Este período não é para sempre!
A Melisa Nielsen tem compilados alguns de seus pensamentos sobre este assunto numa discussão sobre este tema seu grupo yahoo aqui:
http://waldorfjourney.typepad.com/a_journey_through_waldorf/2011/01/i-want-to-get-up-but-my-kids-are-early-risers.html
Como podem outros membros da família ajudar, se existem outros adultos presentes na casa?

Se você é uma família que faz ensino doméstico, quem pode ajudar com os seus filhos durante o dia para que possa assistir a uma consulta médica ou no dentista?

Eu adoraria ouvir o que está a fazer para cuidar da pele, fazer exercício, como consegue lidar com todos os compromissos que  precisa na caixa de comentários abaixo ..

Por favor, faça disso uma prioridade o cuidar de si mesmo ... mais uma vez, esta é apenas a parte exterior de si, eu não estou a falar tanto sobre o desenvolvimento pessoal, trabalho interior, aqui ... mas sinto, por vezes, que se conseguirmos que o exterior esteja ordenada, então a parte interna virá em seguida por si mesma ...

Finalmente, aqui está um post sobre o auto-cuidado, que também abordou este tema: http://theparentingpassageway.com/2011/10/18/the-sacred-art-of-self-care/

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Os Oito Pilares para uma Cultura Familiar Saudável - Ritmo


Hoje depois de uma manhã fantástica passada em família na Tapada do Mouco que inclíu uma visita ao fabuloso Chalet da Condessa D'Edla http://www.parquesdesintra.pt/chaletdacondessa/ vou continuar a traduzir os textos da Carrie sobre os oito pilares fundamentais para uma cultura familiar saudável – cujo primeiro pilar é o ritmo.


O ritmo é, para mim, a base de qualquer família, ou deveria ser. Mas, numa sociedade cada vez mais acelerada, os pais queixam-se de falta de tempo e isso serve de escape para não terem um ritmo estruturado, ora porque cheguei muito tarde e tenho saudades os miúdos podem deitar-se mais tarde, ora porque tive uma reunião estou cansado hoje comemos qualquer coisa e não jantamos juntos, ora porque dá mais jeito jantamos em casa dos avós e vimos mais tarde, etc., etc. Todos nós já passámos por isto mas isto faz parte da quebra das regras do ritmo (não há regra sem excepção) mas, a verdade é que na maioria das famílias, a excepção é a regra, e não há regras, ou seja, não há ritmo.
No entanto, quando falamos de crianças pequenas (principalmente até aos sete anos), não há nada mais confortante que uma rotina, um ritmo constante que lhes dá a segurança de saber o que se vai seguir e deixa-os livres para serem crianças, pois não estão num constante carrossel de emoções.
Pensem nisso, não é assim tão difícil, aliás só vai facilitar a vida de todos, como a Carrie tão bem expõe a seguir. 




“Oito Pilares para uma Cultura Familiar Saudável: 


Ritmo (ParteI)


Há muitas razões para ter um ritmo diário: as crianças até aos sete anos anseiam estabilidade e saber o que vai acontecer; o ritmo ajuda a regular tais processos fisiológicos como sono e comer, o ritmo da vida ensina às crianças que a casa é um porto seguro e que os pais são fiáveis; o ritmo proporciona um equilíbrio para que as necessidades de todos os membros da casa sejam tidas em conta; e o ritmo estabelece o nosso lugar enquanto seres humanos dentro do contexto maior do tempo e das estações.
Além disso, para mim, a parte mais importante de ter um ritmo familiar é que este transmite/expressa os valores da nossa família ao exterior. Uma família que valoriza a jardinagem, por exemplo, vai ter um ritmo aparentemente diferente de uma família cuja vida inclui muita música. O ritmo é uma forma de nos obrigar a nós pais a estar atentos ao que estamos a criar como vida familiar, o que é essencial, qual a nossa missão como família ao educar os nossos filhos. O início de um novo ano é sempre um momento maravilhoso para voltar e rever a nossa declaração de missão familiar. Se não temos uma declaração de missão da família, pode ser um ponto de partida interessante para se reflectir e analisar.
Eu converso com inúmeras mães que afirmam que estabelecer um ritmo é simplesmente muito difícil. As suas queixas principais e desafios ao estabelecer um ritmo centram-se em torno de várias coisas:


1. O ritmo é muito forçado e estruturado. O meu argumento aqui é que, talvez, estas senhoras estejam a construir um ritmo muito elaborado. O ritmo é diferente de uma agenda programada minuto a minuto. Se a sua vida agora é trocar fraldas, sestas, e refeições porque tem crianças pequenas e crianças muito pequenas, então o seu ritmo são essas coisas. Nada mais, nada menos, a não ser que ache que há algo muito essencial que deve acrescentar.
2. O ritmo é gravado na pedra e, portanto, rígido. Eu considero o ritmo como algo flexível e ajustável que muda a cada dia da semana, com as festas da igreja (religiosas) e as estações do ano. Aqui está um post anterior sobre como alterar o ritmo com as estações: (*** vou traduzir em seguida)
:http://theparentingpassageway.com/2008/11/17/changing-your-rhythm-with-the-seasons/
O ritmo também muda conforme as crianças crescem e a situação da família muda.
3. Que, elas mesmas, são muito irregulares ( o que elas não estão a dizer é que essa irregularidade leva-as a não ser capaz de estabelecer um ritmo para a sua família).
Ah, aqui há algo bem diferente. Devemos levar o ritmo com passinhos de bebé, pois este muitas vezes pode ser um desafio para as mães. Às vezes é difícil ser o líder, mas se formos orientando as crianças em direcção à hora de dormir e das refeições que pretendemos... quantos mais dias de seguida o conseguirmos fazer, mais natural vai acontecer e, cada vez mais, a resistência ao ritmo vai diminuir.
Passos de bebé acontecem com o levantar-se, à mesma hora cada dia, e ao ter refeições à mesma todos os dias. Isto, por sua vez, vai colocar naturalmente as sestas e a hora de dormir no lugar certo (à hora certa). Se quer que os seus filhos tenham uma hora de dormir mais cedo, o mais provável é que o adulto tenha que ter uma hora de dormir mais cedo, para que isso possa acontecer, pois todos terão que se levantar. E, a fim de nos levantarmos, temos realmente que ir para a cama e não ficar acordados a noite toda. Se os seus filhos pequenos estão a acordar frequentemente durante a noite, logo, ir para a cama mais cedo vai ajudá-lo a lidar com isso e a dormir mais.
Este post antigo também pode ser útil: (*** a traduzir)
http://theparentingpassageway.com/2011/01/05/rhythm-for-the-irregular/
4. Ritmo não funciona, porque o ritmo é muito apressado e demasiado "compactado". Eu digo a estas mães que precisam discernir o essencial. Têm que adicionar o tempo extra que vai demorar para sair de casa com cinco filhos, o tempo que será necessário para limpar após uma refeição ou uma actividade, ou o tempo extra que vamos demorar em geral, porque as crianças são muito pequenas. Um ritmo, para mim, deve ser simples de trabalhar com.
Há algum tempo atrás, eu adorei a descrição da Rebecca do seu ritmo, sem pressas, simples em torno dos cuidados individuais das crianças: (*** traduzido no final do texto)
http://bendingbirches2010.blogspot.com/2011/06/personal-care-for-young-children.html
Se queremos proporcionar saúde às nossas crianças, uma forma de começar é ter um ritmo calmo.
Eu acho que no planeamento do ritmo, existem três níveis, que devemos considerar:
1. Ritmo para nós mesmos;
2. Ritmo para as pessoas e animais de estimação da nossa família;
3. Ritmo para cuidar das "coisas" da nossa família, e as tarefas que suportam os cuidar dessas coisas.
Recentemente, sentei-me e fiz uma tabela simples para cada dia que pormenoriza o fluxo geral dos nossos dias, e na caixa vazia à direita do descritor coloquei notas específicas para cada dia e actividade correspondente. Foi muito fácil, e ajudou-me realmente a voltar à rotina depois das férias.
Mais pensamentos no meu próximo post sobre ritmo!
Muitas bênçãos, e  alegria,
Carrie “


Aqui segue a tradução do blog da Rebecca, mencionado pela Carrie, que nos fala de como o criar um ritual/ritmo, num momento específico do dia, pode ser tão simples e ao mesmo tempo tão belo e compensador.
Espero que gostem!




Cuidados Pessoais para crianças pequenas


Este é um post já há muito devido, e estou animado por reflectir sobre os meus pensamentos e conclusões acerca deste aspecto importante e muitas vezes esquecido de Pedagogia Waldorf da vida doméstica.... O cuidado corporal das crianças!
Troca de fralda, lavar as mãos, tomar banho, pentear cabelo, unhas cortadas, vestir e despir...
Estas tarefas necessárias compõem grande parte do dia para qualquer prestador de cuidados a crianças pequenas. Às vezes, eles não são agradáveis (penso em meu com 22 meses e como ele detesta limpar a cara...), mas estes momentos devem ser preenchidos com o amor, envolvência e um sentimento de sem pressa, calma.
   Quando se trata das pedras angulares da Educação de Infância Waldorf (cuidado corporal, o calor, a imitação, alimentos nutritivos, brincadeira no interior/exterior  imaginativa e auto-iniciada), o elemento importante de cuidado corporal é o que eu considerei ser mais desafiador. Uma criança que não gosta de se deitar sossegada para uma muda de fraldas, odeia estar na banheira sem mim, me morde ao tentar escovar-lhe os dentes, crianças pequenas que não querem lavar as mãos.... Cabelos emaranhados .... a lista poderia continuar, e estou certa que muitos de vocês sabem do que estou a falar :)


  Como podemos concluir estas tarefas necessárias com um sentimento de alegria sincero?  O amor está lá... mas o que dizer da alegria?  A seguir estão algumas ferramentas e conceitos que eu aprendi ao longo dos últimos meses:


  * Mantenha uma cesta de higiene pessoal.  O educador de infância waldorf  que eu tenho tido a sorte de observar mantém uma cesta de cuidados pessoais que ela traz a cena durante o tempo de lavagem das mãos. A cesta é linda, carinhosa, e, é claro... Útil.
Esta cesta contém uma escova de cabelo linda para as crianças usarem sozinhas, um bálsamo para o pós lavagem das mãos. É aplicado nas mãos da criança enquanto canta uma canção especial. Que momento especial e vale a pena parar e compartilhar!


  * Estabeleça uma àrea de cuidados pessoais  num espaço designado. Criei a nossa "estação" há alguns meses ... Ela contém uma tigela pequena, um frasco de óleo de lavanda, e um espaço para um cartão bonito, tudo colocado sobre um pedaço de madeira lisa.  (Eu tenho alguns para venda na minha loja Etsy recém-inaugurada!)
  Eu misturo o óleo de lavanda na bacia, enquanto as crianças lavam as mãos. Depois delas terminarem, elas vêm até mim para eu lhes secar as mãos com uma toalha macia devagarinho e com cuidado. Elas estendem as suas mãos enquanto eu as massajo com as "gotas mágicas" as palmas das mãos enquanto recito um verso.  Elas apreciam-no muito, e isto fez a lavagem das mãos uma tarefa alegre para todos nós.  O pequeno W,de 22 meses de idade, tem vindo a perceber que "a gotas magicas" caem sempre após a lavagem das mãos. É tão doce vê-lo vir a correr com as mãos estendidas.:)
  A àrea pode também incluir uma escova de cabelo personalizada, pente e toalha de dedos para cada criança.... Uma barra de sabão especial, bonito,  laços de cabelo simples ... Eu adoraria ouvir as vossas ideias!
  
* O comportamento indesejado de uma criança pode vir do facto de ela estar a passar por desconforto físico .... cabelo suado no rosto e nos olhos, uma etiqueta que dá comichão na sua roupa, uma alça que passa a vida a cair, ou uma roupa  (já deve ter experimentado a irritação provocada por uma alça de sutiã que cai incessantemente! É tão irritante!), lábios, mãos secas ... para uma criança, que é um órgão de sentidos puro, essas coisas podem causar uma frustração verdadeira. Mantenha-se atenta a estas coisas e repare-as com amor e uma mão carinhosa. Encontre momentos especiais nestes tempos de cuidado ... Um dos meus momento favoritos do dia na creche é a nossa hora de descanso. Antes da sesta, eu escovo o cabelo das meninas mais novas numa uma trança solta, mas não antes de com  cuidado passar as minhas mãos através do cabelo cerca de 10 minutos, enquanto cantarolo baixinho. Ela adormece logo (uma vez eu tive que segurá-la para ela não cair!), E é um momento tão precioso para mim (e espero que para ela, também!)!


 * Mudar a fralda para uma criança que é extremamente activa é um verdadeiro desafio! Eu não acho que  ainda não "cheguei lá" ainda , mas isto é o que tem funcionado até agora ...
-Um móbil colorido por cima do muda-fraldas
-Mudar a fralda sobre a pele de ovelha super macia tem resultado lindamente conosco ... é como que estar em cima de uma nuvem e eu acho que elas apreciam o sentimento de se afundarem na lã ... quem não gostaria? Elas são um investimento que vale a pena; procurem-nas no Ebay.
-Algo para distrair ou entreter, como um livro, uma música, ou um brinquedo especial reservado para a ocasião.
Incorporar doces momentos de carícias suaves ou massagens enquanto se fala com uma voz suave.
-O aquecedor de toalhitas nos meses mais frios tem funcionado muito bem connosco. Eu também estou a adorar umas gotas para limpeza de rabinhos de mel para uma limpeza suave!


  O Cuidado corporal envolve tanto o cuidador como a criança. Sim, estamos sempre a guiar lentamente e a orientar os nossos filhos em direcção à independência, mas acredito que tempo real e esforço devem ser colocados no modelar e auxiliar as crianças (mesmo com os mais velhos de 5 e 6 anos).  
  Eu deveria incluir uma espécie de aviso aqui que eu não sou uma professora Waldorf!
Na verdade, eu sou provavelmente a maior "aprendiz" que já conheceram.  Esse querer muito está a orientar toda a nossa família para de alguma forma, pagar a formação de professores ao longo dos próximos 3 anos. Eu começo uma aula introdutória em Julho deste ano (!), Que vai me levar um (pequeno) passo mais perto.  Como estudante muito recente de Antroposofia eu continuo a auto-educar-me lendo livros, revistas, ensaios/teses e observando os professores fantásticos das nossas escolas Waldorf locais. No entanto, os meus maiores guias nesta viagem são as 4 crianças magníficas que eu cuido, e o nosso filho lindo, a minha maior inspiração.”

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Educar... eis a questão!


No espírito do novo ano que agora começou tenho estado a meditar e a avaliar as questões que considero principais para a saúde, cultura e união de uma família, (neste caso a minha), e também numa relação saudável educador criança, em termos mais profissionais. Cheguei à conclusão que são basicamente as mesma pois trata-se de educar, e resume-se a qual a nossa atitude perante o que é educar.

Ao longo, das minhas muitas conversas, com os pais das crianças que me são confiadas, cheguei à conclusão que hoje em dia assistimos a muita confusão e incerteza sobre o que é isto de educar e na definição do que é a cultura da nossa família.

O excesso de informação, de políticas governamentais educativas sempre em mudança, de manuais de como ser bons pais, acrescido de um tempo de vida em família cada vez mais curto, criou uma geração de pais confusos que têm dificuldade em distinguir o que é certo e o que é errado, o que é autoridade e autoritarismo, e qual o papel que lhes compete na vida dos seus filhos.

Tento nas minhas conversas com os pais levá-los a encontrar quais os pilares sobre os quais a sua cultura familiar se assenta, e peço-lhes que as questionem em conjunto (no caso de casais) e, depois de chegarem a um consenso, que se mantenham fieis a estes. Depois deste pequeno, mas muitas vezes difícil exercício, penso que tudo correrá de uma forma mais natural e fácil!

Quando pensava nisso encontrei num blog que eu sigo fielmente um post da Carrie a falar naquilo que ela chama dos oito pilares de uma Cultura Familiar Saudável. Li-o e pensei é disto mesmo que eu estou a falar!

Depois de pedir a sua autorização aqui vai a tradução que penso será de alguma utilidade a muitos pais de hoje e de amanhã,  A Carrie no blog menciona o ensino doméstico, tendo em conta que ele não é tão expressivo em Portugal como nos Estados Unidos, está traduzido no texto como educação e educador no sentido lato:

“Os oito pilares para uma Cultura Familiar Saudável

Tenho estado a pensar sobre os três aspectos que considero fundamentais para qualquer pai/mãe ou educador: trabalho interno (do adulto) ou desenvolvimento pessoal, uma vida espiritual e/ou religiosa, e uma cultura familiar saudável. Obviamente cada um desses aspectos influência os outros, mas eu quero passar algum tempo ao longo nos próximos dias a analisar os oito pilares que eu considero constituírem uma cultura familiar saudável. Podemos pegar nos componentes com que nos identificamos e tirar ou adicionar outros da nossa preferência. De qualquer forma, penso que este é um bom tema para começar a pensar visto termos acabado de entrar no Ano Novo com um sentimento ainda de Natal, um clima de cortesia, bondade, e a uma vontade de ser um visionário em relação à nossa vida familiar.

Estas são os oito pilares que eu escolhi para constituir a cultura da minha família:

Ritmo - Este é um gesto exterior composto por algumas atitudes internas em relação a alguns dos pilares abaixo. Espero que reflicta os valores que cada família tem em relação ao sono, descanso, refeições, trabalhar, brincadeira, etc. Esta é uma área normalmente controversa que origina opiniões muito diferentes, e às vezes muito conflito com frases como: "Eu não preciso de um ritmo!”

Eu penso que o ritmo é realmente importante, tem sido uma parte importante da cultura humana e do ser humano desde o início dos tempos. Falaremos mais sobre isso num outro post..

Atitude em relação ao dormir / descanso – Será a nossa casa calma o suficiente para propícionar tempos de descanso, uma hora não tardia de deitar , ou o dormir até mais tarde se as crianças precisarem? Percebemos a mudança dos padrões de sono e descanso ao longo das estações do ano?

Atitude para com as refeições - Há tempo para nos sentarmos juntos como uma família às refeições? Cozinha-se em casa? Quantas vezes por semana se come fora ou se compra fast food? Qual é a atitude em relação à nutrição e à alimentação?

Atitude em relação ao trabalho e à brincadeira – Diz o provérbio que “ Aquele que só pensa em trabalho, torna-se maçante.”, Mas o que vemos hoje são crianças que não são responsáveis ​​por nada. Há algum tempo atrás coloquei a questão "O que aconteceria em sua casa se os seus filhos se fossem embora?” , “O que não seria feito? ". Se a resposta é que nada mudaria se os filhos se fossem embora, e os seus filhos são adolescentes, então os seus filhos não têm responsabilidades suficientes. As tarefas são uma boa base para se aprender a trabalhar em conjunto, como uma equipe.

Outro fenómeno comum é a incapacidade das crianças em brincar de forma autónoma e precisarem da intervenção do adulto a toda hora nas suas brincadeiras, mesmo em idades mais avançadas. Os dias de brincadeira em grupo com todas as crianças da vizinhança, o reunir-se todas as tardes na rua sem adultos a supervisionarem as brincadeiras, desapareceu na maioria das localidades, devido aos ATLs, às aulas e desportos extra-curriculares, e a vida das crianças tem sofrido com isso.

Atitude de Gratidão - Com a gratidão vem a bondade, humildade e a cortesia e a criação de um lugar onde os membros da família se apoiam uns aos outros com amor.

Intimidade entre adultos em casa / Estado do Casamento ou da Parceria - Um casamento sólido ou uma parceria é a base da família, sem isso nada realmente funciona bem. O estudo próximo do livro, "Os Sete Princípios para uma união resultar: Um Guia Prático dos maiores peritos do País em Relacionamentos ", de John Gottman e Silver Nan vai dar-nos uma visão mais aprofundada do assunto.

Atitude em relação ao Conflito e visão deste – A forma como lidamos com o conflito, com o sentimento de frustração e irritação, torna-se o nosso modelo quando lidamos com os nossos filhos em relação a este assunto. Como é o conflito visto em nossa casa? O conflito é apenas encoberto para que ninguém guerreie? É uma guerra total? Como se comunica em conflito, tanto com os outros adultos da casa e com os nossos filhos?

Visão da Criança, Infância e Disciplina - Como nós vemos as crianças: como adultos em miniatura com menos experiência que só precisam ser instruídos, ou como um ser cujo desenvolvimento se processa de forma lenta e que certas coisas são apropriadas em certos estágios de desenvolvimento? Como vemos a disciplina - como uma orientação, como a forma de as levar a ser os adultos que elas irão ser, ou como uma forma de estabelecer as regras ou como forma de não estabelecer qualquer regra, pois as crianças são crianças? Qual é a nossa visão da autoridade dos pais e que imagem isso evoca?

Eu não posso esperar para começar a pensar sobre estes pilares, e você? Estes são os fundamentos da vida tal como a religião/espiritualidade e o auto-desenvolvimento, e, juntos, formam a base de qualquer educação. Sem examinar estes níveis fundamentais, a educação e a paternidade é muito mais difícil.”

domingo, 29 de janeiro de 2012

Como e porquê parar de dizer "Pára", "Não faças isso" e "Não."



Uma das situações com que me vejo constantemente confrontada ao trabalhar com crianças em idade de creche é o impedir e alterar determinados comportamentos. Mas como fazê-lo sem o recorrer constante à negativa?
Podem pensar: “- Porquê parar de dizer ou evitar dizer "Pára"?”.
Aqui estão algumas das razões porque:
As crianças pequenas não podem parar. Elas não entendem esse conceito ainda, a única vez que elas param é quando estão a dormir.
Então eu devo evitar dizer "pára", pois só vou levar à frustração, tanto da minha parte como das crianças.
O que fazer quando as crianças estão a fazer algo que nós não gostamos? Bem, mesmo que as crianças não possam parar, elas podem fazer outra coisa. Então, em vez de dizer:
" - Pára de bater com a  colher na mesa"
"- Tu podes usar a colher para morder."
Em vez de dizer: 
"Pára de mandar areia pelo ar"
"Podes por a areia num balde. "
Em vez de: 
" Pára de tirar o brinquedo ao/à ..." 
" Podemos encontrar um brinquedo que ninguém esteja a usar. "
Quando uma criança está a interagir com outra criança de uma forma que a última não gosta, também aí devemos tentar não dizer “pára”. Em vez disso, tento ajudá-la a falar com a outra:
A Maria aparece e tenta agarrar o brinquedo do Miguel.
Miguel: -  Uah! (Olhando para mim)
Eu: Miguel, podes dizer: "Eu estou a brincar com isso agora."
Miguel: Estou a brincar com isto agora.
Maria: Uah!
Eu: Tu querias brincar com esse brinquedo?
Maria: (acena com a cabeça)
Eu: Porque não dizes, "Posso usar isso quando já não quiseres?"
Maria: Posso usar isso quando não quiseres?
Eu: Miguel, podes dizer, "Podes usar isto quando eu já não quiser."
Lógico que a conversa entre as crianças não é tão elaborada mas penso que a mensagem pretendida foi passada.

Quando as crianças dizem "pára" umas às outras, eu ajudo-as, traduzindo muito bem o que "pára" significa. "Pára" significa "tirar as mãos. / Largar."
Eu tento manter os ouvidos atentos e sempre que ouço uma criança dizer "pára", viro-me para ver o que se passa, e lembro-os, se necessário, " - Pára significa larga".
 Se não o fizerem, eu continuo, " -Parece que precisas de ajuda para largar o/a … desta vez."

Também devemos evitar dizer "Não faças isso". Porque evitar usar a palavra não?
Nós todos pensamos por imagens, as crianças ainda mais que os adultos. Se eu disser: "Não corras pela rua," qual é a imagem que vem à cabeça?
Agora, e se eu disser: "Por favor, nós vamos pelo passeio."
A palavra "não" é um modificador que é muito fraco em comparação com a forte imagem criada pelo resto da frase.
É por isso que, se nós dissermos "Não saltes na poça", a uma crianças com dois anos de idade, esta irá directamente para a poça de água pular nela, e irá ficar um pouco confusa com a razão pela qual nós iremos ficar zangados ou frustrados.

O que tento fazer? A solução é exactamente a mesma que com o "pára".
Em vez de dizer o que eu não quero, digo o que eu quero que a criança faça.

Se uma criança está a andar de triciclo, passa pelos seus amigos e bate-lhes com o triciclo uma e outra vez, eu digo: " - Podes ir à volta dos teus amigos."
E porque pensamos tão fortemente por imagens, eu também uso imagens para criar um cenário na mente das crianças, dizendo-lhes como quero que elas actuem em determinada situação: " - Quando eu abrir o portão, todos vão caminhar calmamente e esperar do outro lado. "
Eu não espero necessariamente que elas se lembram e obedeçam, só estou a plantar as sementes e a criar um cenário que ao longo do tempo dará os seus frutos. Vou lembrá-las antes de cada passo, o que está prestes a acontecer. Muitas vezes (a maioria das vezes) nem uso a palavra falada. Para situações de rotina diária há uma canção que faz antecipar o momento que se segue, e essa mesma canção é sempre repetida quando esse momento se aproxima.

Porquê não dizer "não".
Porque evito dizer 'não'.
Eu evito dizer não, porque as crianças ouvem-no o tempo todo, e ele perdeu a sua eficácia ao ser usado em excesso.
O que tento fazer quando uma criança precisa de uma palavra que sirva de substituição rápida para impedi-la de fazer algo?
Muitas vezes, bater palmas duas vezes ou começar a cantar uma canção, isto surpreende-as e cria uma pausa suficiente que os leva a esquecer do que iam fazer.
E quando uma criança pergunta se pode fazer determinada coisa, eu tento dizer Sim.
Se estou ocupada com algo e uma criança me pede para fazer algo para o qual precisa ajuda eu digo: "- Sim. Eu vou ajudar-te assim que eu terminar o que estou a fazer ".
Se a criança se queixar de que ela quer fazer agora, podemos resolver o assunto em conjunto sem entrar em grandes explicações ou discussões.
"- Podias pedir ajuda a um amigo, ou tentar fazê-lo sozinha. Ou então brincar com outra coisa até que eu tenha terminado".
Se a criança pede algo, e a resposta irá ser sempre não, então tento também dizer-lhe o que ela pode fazer. Como por exemplo:
"- Tu hoje podes ficar com a  bola vermelha"
Se isso for uma decepção tento ser compreensiva, ou então dizer "sim" usando a imaginação
"- Se eu tivesse outra bola verde, eu dava-ta, com certeza!"
Eu tento usar alternativas criativas e segui-las. Se a crianças continuar a  insistir, o que acontece frequentemente nos dias de hoje, pois a capacidade de  espera é algo que se está a perder. Entro numa conversa que a tente dissuadir da ideia:
Eu: "-Na verdade, se eu tivesse duas bolas verdes, eu teria uma para ti e uma para mim. E se nós tivéssemos três bolas verdes, a quem daríamos a terceira?”
Criança: “- E se tivéssemos uma sala cheia de bolas?”
Eu: “- Poderíamos levá-las para o jardim e dar uma a cada criança! Ia ser muito divertido. Vamos ver quem está no jardim?  "
E aí a insistência por certo desapareceu.

Conclusão?
A razão pela qual eu tento evitar dizer pára, não faças isso e não, não é porque vou destruir a auto-estima da criança, apesar de por certo ser um inibidor da criatividade e da capacidade exploratória, mas isso poderemos falar noutra altura.
Faço-o simplesmente porque é significativamente mais eficaz do que as alternativas, e essencialmente porque gosto mais do tempo que passo com as crianças quando  não estou a dizer não o tempo todo!