sábado, 4 de fevereiro de 2012

Educar... eis a questão!


No espírito do novo ano que agora começou tenho estado a meditar e a avaliar as questões que considero principais para a saúde, cultura e união de uma família, (neste caso a minha), e também numa relação saudável educador criança, em termos mais profissionais. Cheguei à conclusão que são basicamente as mesma pois trata-se de educar, e resume-se a qual a nossa atitude perante o que é educar.

Ao longo, das minhas muitas conversas, com os pais das crianças que me são confiadas, cheguei à conclusão que hoje em dia assistimos a muita confusão e incerteza sobre o que é isto de educar e na definição do que é a cultura da nossa família.

O excesso de informação, de políticas governamentais educativas sempre em mudança, de manuais de como ser bons pais, acrescido de um tempo de vida em família cada vez mais curto, criou uma geração de pais confusos que têm dificuldade em distinguir o que é certo e o que é errado, o que é autoridade e autoritarismo, e qual o papel que lhes compete na vida dos seus filhos.

Tento nas minhas conversas com os pais levá-los a encontrar quais os pilares sobre os quais a sua cultura familiar se assenta, e peço-lhes que as questionem em conjunto (no caso de casais) e, depois de chegarem a um consenso, que se mantenham fieis a estes. Depois deste pequeno, mas muitas vezes difícil exercício, penso que tudo correrá de uma forma mais natural e fácil!

Quando pensava nisso encontrei num blog que eu sigo fielmente um post da Carrie a falar naquilo que ela chama dos oito pilares de uma Cultura Familiar Saudável. Li-o e pensei é disto mesmo que eu estou a falar!

Depois de pedir a sua autorização aqui vai a tradução que penso será de alguma utilidade a muitos pais de hoje e de amanhã,  A Carrie no blog menciona o ensino doméstico, tendo em conta que ele não é tão expressivo em Portugal como nos Estados Unidos, está traduzido no texto como educação e educador no sentido lato:

“Os oito pilares para uma Cultura Familiar Saudável

Tenho estado a pensar sobre os três aspectos que considero fundamentais para qualquer pai/mãe ou educador: trabalho interno (do adulto) ou desenvolvimento pessoal, uma vida espiritual e/ou religiosa, e uma cultura familiar saudável. Obviamente cada um desses aspectos influência os outros, mas eu quero passar algum tempo ao longo nos próximos dias a analisar os oito pilares que eu considero constituírem uma cultura familiar saudável. Podemos pegar nos componentes com que nos identificamos e tirar ou adicionar outros da nossa preferência. De qualquer forma, penso que este é um bom tema para começar a pensar visto termos acabado de entrar no Ano Novo com um sentimento ainda de Natal, um clima de cortesia, bondade, e a uma vontade de ser um visionário em relação à nossa vida familiar.

Estas são os oito pilares que eu escolhi para constituir a cultura da minha família:

Ritmo - Este é um gesto exterior composto por algumas atitudes internas em relação a alguns dos pilares abaixo. Espero que reflicta os valores que cada família tem em relação ao sono, descanso, refeições, trabalhar, brincadeira, etc. Esta é uma área normalmente controversa que origina opiniões muito diferentes, e às vezes muito conflito com frases como: "Eu não preciso de um ritmo!”

Eu penso que o ritmo é realmente importante, tem sido uma parte importante da cultura humana e do ser humano desde o início dos tempos. Falaremos mais sobre isso num outro post..

Atitude em relação ao dormir / descanso – Será a nossa casa calma o suficiente para propícionar tempos de descanso, uma hora não tardia de deitar , ou o dormir até mais tarde se as crianças precisarem? Percebemos a mudança dos padrões de sono e descanso ao longo das estações do ano?

Atitude para com as refeições - Há tempo para nos sentarmos juntos como uma família às refeições? Cozinha-se em casa? Quantas vezes por semana se come fora ou se compra fast food? Qual é a atitude em relação à nutrição e à alimentação?

Atitude em relação ao trabalho e à brincadeira – Diz o provérbio que “ Aquele que só pensa em trabalho, torna-se maçante.”, Mas o que vemos hoje são crianças que não são responsáveis ​​por nada. Há algum tempo atrás coloquei a questão "O que aconteceria em sua casa se os seus filhos se fossem embora?” , “O que não seria feito? ". Se a resposta é que nada mudaria se os filhos se fossem embora, e os seus filhos são adolescentes, então os seus filhos não têm responsabilidades suficientes. As tarefas são uma boa base para se aprender a trabalhar em conjunto, como uma equipe.

Outro fenómeno comum é a incapacidade das crianças em brincar de forma autónoma e precisarem da intervenção do adulto a toda hora nas suas brincadeiras, mesmo em idades mais avançadas. Os dias de brincadeira em grupo com todas as crianças da vizinhança, o reunir-se todas as tardes na rua sem adultos a supervisionarem as brincadeiras, desapareceu na maioria das localidades, devido aos ATLs, às aulas e desportos extra-curriculares, e a vida das crianças tem sofrido com isso.

Atitude de Gratidão - Com a gratidão vem a bondade, humildade e a cortesia e a criação de um lugar onde os membros da família se apoiam uns aos outros com amor.

Intimidade entre adultos em casa / Estado do Casamento ou da Parceria - Um casamento sólido ou uma parceria é a base da família, sem isso nada realmente funciona bem. O estudo próximo do livro, "Os Sete Princípios para uma união resultar: Um Guia Prático dos maiores peritos do País em Relacionamentos ", de John Gottman e Silver Nan vai dar-nos uma visão mais aprofundada do assunto.

Atitude em relação ao Conflito e visão deste – A forma como lidamos com o conflito, com o sentimento de frustração e irritação, torna-se o nosso modelo quando lidamos com os nossos filhos em relação a este assunto. Como é o conflito visto em nossa casa? O conflito é apenas encoberto para que ninguém guerreie? É uma guerra total? Como se comunica em conflito, tanto com os outros adultos da casa e com os nossos filhos?

Visão da Criança, Infância e Disciplina - Como nós vemos as crianças: como adultos em miniatura com menos experiência que só precisam ser instruídos, ou como um ser cujo desenvolvimento se processa de forma lenta e que certas coisas são apropriadas em certos estágios de desenvolvimento? Como vemos a disciplina - como uma orientação, como a forma de as levar a ser os adultos que elas irão ser, ou como uma forma de estabelecer as regras ou como forma de não estabelecer qualquer regra, pois as crianças são crianças? Qual é a nossa visão da autoridade dos pais e que imagem isso evoca?

Eu não posso esperar para começar a pensar sobre estes pilares, e você? Estes são os fundamentos da vida tal como a religião/espiritualidade e o auto-desenvolvimento, e, juntos, formam a base de qualquer educação. Sem examinar estes níveis fundamentais, a educação e a paternidade é muito mais difícil.”

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