sábado, 7 de novembro de 2009

Dia das Bruxas ou Samhain


Este ano pela primeira vez, a nossa família juntamente com minha amiga B. e as miúdas dela, fomos celebrar o Dia das Bruxas.E acho que criámos uma nova tradição!

Esteve uma tarde de verão, mais do que um dia de Outono, mas não foi por isso que a nossa tarde e fim de dia foi menos mágico!
Fomos ter a Monsanto com o meu amigo Marc (www.camaleao.de )que tem estas ideias originais e tão divertidas, pelas 15h30. A tarde começou connosco a contruir chapéus e varinhas de bruxa com jornais velhos e ramos caídos, lãs e fitas, para termos os nossas/os bruxas/os vestidos a preceito. Ao longo da tarde fizeram-se vários jogos com os bruxos e bruxinhas que envolveu lançar feitiços, voar em vassouras ( feitas de ramos de àrvore) e acabou num jogo de pistas para encontrar a abóbora que teriamos de transformar em laterna. Como a abóbora era só uma as crianças mais velhas fizeram outras lanternas com frascos e papel vegetal pintado por elas. Acabou o dia já depois do por de sol, em que fizemos o regresso ao local de partida pelo meio da floresta iluminados pelas nossas lanternas e a bela lua que nos veio cumprimentar.


Escusado será dizer que as crianças e adultos estavam envoltos em toda aquela magia e no final ficámos todos a tentar prolongar aquele momento.
De regresso a casa, influenciados pelos desenhos animados que tinham visto nessa manhã (sim que os 4 acordaram-nos às dez para as sete num sábado de manhã!) os miúdos quiserem, enquanto nós faziamos o jantar, ir pelo prédio acima pedir doces aos vizinhos, claro que vieram eufóricos com uma tablete de chocolate, meia duzia de caramelos, umas bolachas de chocolate e um euro (que dividirem pelos 4 a magia de uma moeda que se transforma em 8), apesar de alguns vizinhos simpáticos terem-se recusado a abrir a porta!
Acabámos com um jantar à luz das lanternas que foi um descanço!
Isto levou-me a estudar um pouco sobre esta altura do ano e perceber o que está por detrás das Bruxas e das abóboras e heis o que descobri!
O Dia 31 de Outubro coincide com o Samhain que marca o fim das colheitas e o fim da metade mais luminosa do ano, ou seja o início da metade mais escura.Este festival era tradicionalmente celebrado ao longo de vários dias. Muitos escolástico acreditam que este era o início do ano celta.
No Samhain encontram-se algns elementos do festival dos mortos, devido a uma crença antiga de que a natureza estava a morrer nesta altura do ano. Os gálicos acreditavam que a fronteita entre este mundo e o mundo dos mortos se tornava mais ténue nesta altura do ano, visto a natureza estar a morrer. Acreditavam que esse facto permitia aos mortos aproximarem-se deste mundo mais facilmente pois o véu que os separava dos vivos, nesta altura do ano, tornava-se mais ténue.
As fogueiras têm um papel muito importante nesta altura do ano pois as pessoas e gado, muitas vezes caminhavam entre duas fogueiras numa cerimónia de purificação, e os ossos dos animais já mortos erama atirados para as fogueiras.
As máscaras e disfarces provêm do costume gálico de copiar ou acalmar os espíritos, personificando-os. Os nabos e abóboras eram cravados com caras para se fazer lanternas, de forma a afastar os maus espíritos.
Assim o festival celta associou-se ao dia cristão de Todos os Santos e foi influenciado por tadições seculares que resultaram no Halloween ou Dia das Bruxas.
Isso junta-se a toda esta época do ano que nós vivenciamos entre o dia 29 de Setembro, dia de S. Miguel, e o dia 11 de Novembro, Dia de S.Martinho, que também se relaciona com o fim da luz e o início da escuridão e com o recolhimento que se faz nesta altura devido aos dias começarem a ficar mais curtos e, com esse recolhimento temos de encontrar a luz dentro de nós.

Aqui ficam algumas ideias, versos, canções e histórias representativas desta época.

Verso de Micael:
Com força e coragem no coração
Todo o medo tem seu fim
Micael vai combater o dragão
Com a luz que há em mim!
Histórias e versos de S.Martinho e Outono
A lenda de S. Martinho

Há muito tempo viveu um jovem homem chamado Martinho. Mesmo em rapaz Martinho sabia que um dia teria de servir no exército, seu pai era um importante oficial do exército. E, embora deseja-se uma vida pacífica fora do exercito, ele sabia ser sua obrigação seguir a tradição de seu pai. Então, quando chegou a altura, Martinho alistou-se no exército, tornou-se oficial, e foi-lhe dado um posto na cidade de Amiens.
Numa tarde de inverno muito fria, o jovem Martinho cavalgava junto aos portões de Amiens, no seu nobre cavalo. Ele estava vestido a rigor com o seu traje militar: uma armadura luzente, um capacete brilhante, e uma bela capa branca forrada a lã branca. Estava praticamente a nevar lá fora, mas a sua capa grossa mantinha-o quente. Martinho quase não sentia o frio.
Mas, ao aproximar-se dos portões da cidade Martinho viu um mendigo, vestido com umas roupas tão rasgadas que o pobre homem estava quase nu. O homem tremia e estava roxo de frio, mas ninguém se aproximava para o ajudar. As pessoas passavam pelos portões olhando em frente, para que os seus olhos não se cruzassem com os do pobre homem enregelado.
Martinho vendo este cenário comoveu-se. Cavalgou em direcção ao pobre homem e tirou a sua capa. E, com um golpe de sua espada, rasgou a sua bela capa em duas, enrolou metade da capa em volta do homem gelado e a outra metade em volta dos seus próprios ombros.
As pessoas em seu redor olhavam espantadas. Ver um militar fazer um gesto que mostrava compaixaão era um espetáculo ridiculo para uns, mas para outros um acto comovente que mostrava a bondade existente no jovem Martinho.
Nessa noite enquanto Martinho dormia teve um sonho. Um homem apareceu-lhe, alguém que lhe pareceu muito familiar, e esse homem tinha aos ombros metade da capa que Martinho tinha dado ao pobre mendigo. E então, Martinho viu nos olhos deste homem e dentro de si, a luz do Divino que carregamos dentro de nós.
Desde esse dia, a vida de Martinho mudou para sempre. Ele soube que não mais poderia ser militar, pois o seu real desejo era viver uma vida de bem ao proximo.

Versos de S.Martinho

A luz dourada torna-se cinza
As brumas os dias vão envolver
Nuas as àrvores os seus ramos erguem
Remoinhos de folhas à terra vão descer.

Pelos campos lavradores caminham
Fazendo as colheitas num ritual
A terra guardará o seu calor
Protegendo-os do frio e de todo o mal.

Eles sabem que a luz e o calor
Vivem em nós, longe do olhar
E debaixo do braço protector
no fundo da tera nova vida vai chegar.

Bem, bem lá do fundo nova vida vai chegar!




Ideias de Comida

Tarde de maçã, Bolo de maçã, Sonhos de maçã, qualquer coisa com maçã. Elas estão por toda a parte, tal como as castanhas e batata doce também.
Bolachas de gengibre
Bolo de Cenoura
Diferentes arrozes e lentilhas
Toda a espécie de frutos secos


Ideias Artesanais
Guardar bolotas para chapéus de fadas
Usar pinhas para fazer gnomos
Fazer raspagens de casca e folhas em papel ou cera de abelha
Coleccionar folhas e fazer coroas e mobiles

A Lanterna

Há muito, muito tempo, viveu um rapaz chamado Jorge, que estivera todo o verão lá fora no jardim, caçando borboletas, saltando como um gafanhoto, cantando como um pássaro e tentando apanhar todos os raios do sol. Um dia, quando estava no prado, deitado de costas olhando o céu iluminado pelo sol ele disse: “ Querido Irmão Sol, em breve os ventos de Outono soprarão e assobiarão, o frio gelado virá e nos fará congelar, e as noites tornar-se-ão longas e frias.”
O Irmão Sol empurrou as nuvens para o lado e disse: “ Sim ,estará frio e escuro. No inverno profundo, a luz e o calor vivem dentro de nós, longe da nossa vista. No tempo do frio e da escuridão nós mantêmos a luz dentro de nós.”
“ Mas,” disse Jorge, “ Como guardarei eu a luz quando está tudo escuro ao meu redor?”
“Eu te darei um último raio de luz de Outono, assim que lhe tenhas feito uma pequena casa, pois este raio terá de ser bem guardado. Ele te guiará no caminho para guardares em ti a Luz Interior durante o tempo de frio e escuridão.”
E o Irmão Sol mais uma vez se escondeu por detrás das nuvens.
Jorge foi para casa e pensou qual a melhor forma de fazer uma pequena casa para um dos últimos raios de sol de Outono. Ele pegou numa folha grossa de papel e pintou nela uma bela aguarela azul e amarela. Quando esta secou, cortou janelinhas na pintura. Depois colou papel colorido por detrás da sua aguarela e moldou-a numa lanterna. E quando começou a escurecer foi lá para fora com ela.
Jorge levantou a lenterna sobre a sua cabeça e disse:”Irmaõ Sol, eu fiz uma pequena casa para um dos teus raios dourados. Por favor, podes dar-me um? Eu guardarei-o bem.”
O Irmão Sol por detrás das nuvens disse alto: ”Tu fizeste uma bela casa. Eu te darei um dos meus raios.”
E, subitamente, Jorge viu como as janelas da sua lantern se iluminaram, e quando olhou para dentro da sua lantern viu um pequeno raio dançando em cima de uma vela. Oh, como estava feliz a luz na sua bela lanterna, brilhava cada vez mais!
“Obrigado Irmão Sol!” gritou Jorge para o céu, ” Obrigada!”
E levou a sua lanterna com muito cuidado para casa cantando:

“ Ó sol meu amiguinho
Acende minha lanterna
Tua luz brilha na noite escura
Lanterna guarda-me
Com a tua luz”


Bom recolhimento e até ao S.Martinho!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Começar de Novo A new beginning

Há muito tempo que não escrevo mas, como tinha dito, a minha vida levou uma reviravolta que não me deixou muito tempo livre.Pelo meio vieram as tão merecidas férias e a vontade de de escrever também não foi muita... mas penso que agora vou ter mais tempo, pois já estou mais organizada e vou tentar ser assidua, quatro posts por mês, pelo menos!
Como disse desde setembro que estou a começar um novo capitulo da minha vida que me tem feito muito feliz. Sinto que entrei numa fase boa e que as peças do puzzle estão a encaixar.
"Não há coincidêcias..." e " Nada acontece por acaso" são frases que se dizem e, a verdade, é que a minha vida nos últimos tempos tem sido uma junção de felizes "acasos", que se entretecem e resultaram naquilo que é agora uma mudança de direcção que já se vinha a vislumbrar.


Tudo começou com uma visita de um dia que pedi para fazera um jardim de infância Waldorf pois, felizmente, tenho uma colega de curso e amiga que lá trabalha há cinco anos e, quando nos voltámos a encontrar, falou-me no trabalho dela de uma forma que deixou em mim uma grande curiosidade. O intuito da visita era viver um dia nessa pedagogia que era uma incógnita para mim, tinha umas ideias mas a verdade é que durante todo o curso de educadores, e desde que sou educadora ( há 9 anos) nunca ouvira alguém falar dessa pedagogia, até ter reencontrado a Inês.
E nunca mais esqueci o dia em que entrei pela primeira vez no Jardim de Infância. Lembro-me de ficar encantada com a sala que era como uma casa, harmoniosa bela e na qual se quer viver, um prolongamento da nossa casa que só tinha vivenciado quando estivera em Erasmus na Dinamarca. Fiquei imensamente impressionada com o enfase dado às estações, à natureza e ao espaço exterior; a sensação de veneração que se sentia na sala, os materiais naturais por todo o lado, e o cheiro a comidinha a ser feita como em "casa da mãe". Lembro-me das imagens, da mesa da natureza, das cores e de ficar com aquela certeza que aquele era sem dúvida o ambiente ideal para a criança e para mim!
Fiquei no momento excitada por ter feito uma descoberta, uma descoberta com 100 anos de história que só agora me fora revelada. Nesse momento soube que era esse o ambiente em que eu sempre desejara trabalhar.
A altura apresentava-se para uma mudança na minha vida profissional e imediatamente comecei a investigar na internet, a ler livros sobre o tema e tive a certeza que queria fazer o curso em pedagogia waldorf, não só para saber mais como para estar em contacto com as poucas pessoas que no nosso país vivenciam esta pedagogia e têm contacto com ela.
Sabia no entanto que as oportunidades de trabalhar num jardim de infãncia waldorf em Portugal não seriam muitas, visto serem tão poucos os projectos, mas comecei por casa e logo se veria o que surgiria depois.
Verdade é que em Março fiz um workshop sobre pedagogia waldorf, com uma das pessoas que está à frente do curso cá em Portugal, e preparei-me para iniciar o curso em Setembro.
Entretanto ia trocando ideias com a Inês e visitando o Jardim de Infância onde me sentia sempre em casa.
Meses depois soube que a colega da Inês iria fazer um ano de estágio para Madrid e que seria preciso alguém para a substituir, mostrei o meu interesse sem grande expectativas mas a verdade é que "as estrelas se alinharam" e hoje estou a realizar aquilo que há um ano era um sonho.
Agardeço a sorte que tive e tento viver ao máximo esta experiência que me foi proporcionada. Todos os dias é com grande alegria que vou trabalhar e aprender, pois mais do que em qualquer outra altura da minha vida sinto que a auto-educação faz parte integral daquilo que me define como educadora e pessoa. Todos os dias estou a reaprender a respirar, a que há tempo para tudo e aqui sim as crianças estão sempre primeiro.
Durante estes tempos iniciais de horários frenéticos, actividades ininterruptas, era constantemente bombardeada com informação do que é melhor para as crianças e não tinha tempo suficiente calmo na minha vidas para relaxar e rspirar e ouvir a intuição, felizmente esse momento chegou, para mim e para a minha família.

terça-feira, 17 de março de 2009

Less is best!

I'm a 33 (almost 34) mother of two, a boy D. who is 4, going 5 in April, and L. a girl, that just turned two in January.
Besides being a mother I'm a Kindergarten teacher sine 1997, so I think that I was really prepared to be a mother, when the time came and nothing was new to me... well, besides the slepless nights when they get sick, and the part that when you leave the other kids in kindergarten you still have your kids to mind, but that is fine ( some days better then others!):P!
And everything moved on smoothly until it was time to choose a Kindergaten for D.. Since I work in a nursery the problem never presented itself until that time. And the time matched my pregancy with L. (that wasn´t planed but we were really happy about it).
I never had a doubt, I knew wich kindergarten I wanted if he wouldn´t enter the state one (wich is almost impossible until childre are 5 in Portugal and it´s manadatory to begin preschool), due to my experience and learnings while Iwas in college and working around other places. The problem with the kindergarten was that it's really expensive. So after some arguments, and with the help of the garndparents, we decided that the one I had chosen was the one!
But why did I chose it? At the time it was the best in Lisbon (were we live), the best meaning that it had the things I belive in. There aren´t almost any plastic toys, the kids had a nap after lunch, the classes are small and familiar, the place is a big farmhouse with lots of gardens, a sand one, as well, with water where they can make anything their imagination choses, an orchard, a vegetable path and even a vineyard ( the kids from primary school pick up grapes and make wine in September)! It's just next door to the biggest wood in Lisbon and the food is not that bad (compared to the usual).
But two years passed and I don't know if it's due to age, or if it's just our constant changing, or the proximity of D. going to primary school, and L. needing to change soon to kindergarten, that sounded some bells in my head and made me start questioning some things.
More and more I started to fell that children ( at least my children the one at home and in the nursery I work in ) don't really have time to be children, and that our ( adults) caothic life is making them grow to much to fast. And so, I started to question my decisions and my posture has a mother and as an educator.
I fell we worry to much about showing that kids can do lots of things, and that they are smarter each year that passes , and we hurry them and don't really appreciate these important years that go so fast. So I came to the conclusion that less is best!
I don't really care if my children go to top schools in academic meanings but that they go to top schools in human meanings. And in that quest I found out waldorf education, that I already knew vaguely from a college friend that works in a waldorf kindergarten in Alfragide (one of the few), and I started readind books and online and also found about homeschooling, and the laws that apply to it in Portugal, and I'm really thinking that maybe I have to make a big change in my life and in my kids life!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ainda não tinha tido tempo de me dedicar ao meu novo blog, mas ao ler o artigo na Pública este fim-de-semana, e depois de ler este senhor que se segue ( ao qual não resisti responder ) pensei... Heis algo que eu quero falar no meu blog!
O artigo que se segue é uma cópia integral do blog http://blog.fundacaorespublica.pt/?p=473


"Porque o futuro do Estado social depende de “enfiarmos” as crianças na escola
1. Como não podia deixar de ser, o facto de a CONFAP ter anunciado a sua proposta para que as escolas do 1.º ciclo estejam abertas 12 horas por dia tem provocado alguma polémica (cf. a reportagem de sábado do jornal “Público”). Porém, antes que o debate fique entregue ao moralismo habitual - de que os pais se “demitiram” de ensinar os filhos; de que, com o aval do Governo, querem transformar as escolas em “depósitos” de crianças, etc. - é importante termos elementos para uma análise mais fria, racional e alargada dos problemas em questão.
2. O epicentro da polémica tem estado nas relações entre a família e a escola. Esta é uma visão parcelar e desloca o problema para o terreno dos “costumes” e das pedagogias em detrimento da relação entre a família e o mercado de trabalho, perspectiva sem a qual reduzimos esta discussão a uma “guerra cultural”.
3. Atente-se no quadro seguinte, tirado deste estudo da OCDE: Babies and Bosses (tabela 3.2.)

Da sua observação sobressaem elementos importantes:
- a taxa de emprego das mulheres em Portugal com filhos entre os 0 e os 16 anos é alta quando comparada com a maioria dos países da OCDE ficando apenas atrás, claro, do cluster nórdico, cujos valores são impressionantes, e não distante do Canadá, Holanda e Suíça.
- Portugal sobe para o 4.º lugar, não longe do trio da frente (Suécia, Dinamarca e Holanda) nas mulheres cujo filho mais novo tem até 2 anos de idade. Este é um excelente resultado, mas talvez seja o outro lado da nossa baixa taxa de fertilidade (ver tabela 1.1. aqui).
- mais: Portugal mantém o quarto lugar quando olhamos para a taxa de emprego das mulheres cujo filho mais novo tem entre 3 e 5 anos. Ultrapassamos a Holanda, mas somos deixados para trás pela Finlândia, que se junta à Suécia e à Dinamarca no topo.
- ora, é na faixa etária entre os 6 e os 16 anos (isto é, o intervalo etário correspondente à frequência da escolaridade obrigatória) que Portugal, mantendo uma performance muito apreciável, cai na tabela. O valor de 65,4% cifra-se inclusivamente abaixo da média da OCDE, quando nas categorias anteriores o valor nacional era bem mais elevado. E só a Bélgica, o Luxemburgo e a Espanha partilham connosco este estranho padrão. Em todos os outros países as mães cujo filho mais novo tem entre 0 e 2 anos apresentam uma taxa de emprego inferior às mães cujo filho mais novo tem entre 6 e 16.
Como justificar esta quebra? Não tenho uma explicação imediata, e seria necessário olhar para dados mais desagregados – sendo certo que estão aqui em presença várias forças que uma única variável não pode captar. A verdade é que não é todo absurdo pensar que a melhoria das condições da guarda de crianças a partir dos 6 anos – isto já foi em boa medida conseguida com as actividades de enriquecimento curricular gratuitas no 1.º ciclo (atenção: estes dados são relativos a 2005, antes dessa medida ter sido tomada) – daria outras condições às mães para entrar no mercado de trabalho. É que se partilhamos com os países nórdicos elevadas taxas de emprego das mães, não partilhamos de todo «the comprehensive public support systems, such as parental leave, childcare and out-of-school hours care».
4. Num outro trabalho da OCDE lê-se: «Reforms that encouraged an increase in the number of two-earner families on average would have a stronger effect on reducing child poverty, and there could be significant falls in Greece, Italy, Mexico, Poland, Portugal and Spain. This suggests that in these six countries reforms to encourage employment among partners in single income families should be particularly encouraged.» (p.36). Ou seja, a entrada no mercado de trabalho do segundo cônjuge tem, num país como Portugal, um poderoso impacto na redução da pobreza de adultos e crianças.
5. O bem-estar dos indivíduos e das famílias, por um lado, e robustez das políticas inscritas num Estado social sustentável, por outro, dependem da criação de círculos virtuosos entre políticas e dinâmicas sectoriais distintas mas interdependentes. Se muitos olham o Estado social dos “30 anos gloriosos” como uma história de sucesso por essa Europa fora (e foi-o, em grande medida), foi porque aquele estava assente em dinâmicas auto-propulsoras que o alimentavam de forma estável – até atingirem o seu limite, embatendo num certo tecto económico e/ou político.
Hoje, sabemos que sem maximizar o emprego não teremos base fiscal que sustente a médio prazo o financiamento das políticas sociais; que não teremos altas taxas de emprego se a vida familiar dificultar a entrada dos indivíduos no mercado de trabalho; que uma parte dessas dificuldades está associada à dificuldade que muitos pais sentem relativamente à guarda das crianças; e que se a sociedade não encontrar uma forma de resolver este problema, terá provavelmente que escolher entre ter altas taxas de emprego (feminino) e baixas taxas de fertilidade, ou baixas taxas de emprego (feminino) e altas taxas de fertilidade (não sendo de excluir o pior dos mundos, no qual as baixas taxas de emprego (feminino) se juntam às baixas taxas de fertilidade, como nos caso da Hungria, da Espanha ou da Itália). O círculo virtuoso que é indispensável criar pretende evitar que tenhamos que escolher entre uma coisa e outra. Os países nórdicos, por exemplo, conseguiram-no.
6. Até que esta ideia faça o seu caminho no debate público e político, é preciso devolver alguns elementos aos críticos, em particular àqueles que se colocam à esquerda do Governo. Sim, talvez - talvez - o facto da criança passar 12 horas na escola possa ter um lado negativo para o seu desenvolvimento equilibrado. É uma hipótese em aberto, relativamente à qual é provável que os pedagogos nunca cheguem a um consenso. Ora, no plano do “talvez” não é difícil imaginar que essas horas na escola “roubam” tempo que em casa seria passado em frente da televisão ou a jogar Playstation – actividades que o mais pedestre aprendiz de pedagogo dificilmente terá como um modelo de desenvolvimento das crianças. Se os pais são uns “irresponsáveis” que se demitem de educar os filhos abandonando-os na escola, é improvável que se transformem nos mais virtuosos progenitores apenas porque têm que passar mais tempo com os filhos – muitos sem saber o que “fazer” com eles. E a televisão e a Playstation são óptimas soluções, entre outras, para dar largas à demissão parental. Não pretendo moralizar – mas tão só relativizar a ideia de que se não fosse a “escola-depósito”, de repente o milenar problema da socialização dos mais novos elementos da sociedade estaria bem resolvido.
O fundamental desta discussão, por muito que custe aos críticos de esquerda, é que na vasta maioria das famílias portuguesas os dois elementos adultos do agregado familiar têm de (e querem) trabalhar. O que pretendem os críticos: que um deles decida ficar em casa e viver com ainda mais dificuldades económicas? E quando sabemos que é quase sempre a mulher que abdica da inserção profissional, é este o modelo familiar que queremos promover? Para mais, não vejo por que motivo as escolas têm que ser “depósitos” de crianças nem por que motivo é que, para usar a expressão de Francisco Almeida, da Fenprof, as crianças tenham de estar “enfiadas” na escola. Estar na escola é assim tão mau? É um sacrifício tão gigantesco? As actividades que lá têm lugar são assim tão inúteis e tão pouco dignificantes? É estranho que um sindicato de professores olhe para a realidade escolar com tanto miserabilismo. E a Fenprof fala por quem? Pelas crianças? Pelos pais – e por que pais? Assim de repente, não me parece que fale pelos que precisam que o Estado e as escolas assegurem a guarda de crianças até ao final do seu dia de trabalho: a enorme fatia das classes trabalhadoras e médias.
Elogie-se, porém, a coerência: para a Fenprof, não é escola que tem quem mudar. Não: é a sociedade que tem que mudar para se adaptar ao modelo de escola que a Fenprof defende. O ónus da mudança, sabemos, nunca reside na organização ou nos profissionais – pagos com dinheiros públicos, convém lembrar de vez em quando, com o risco de ferir algumas susceptibilidades - mas na “sociedade”: essa nebulosa galáxia constituída pelas empresas, pelas famílias, pelo Estado, e claro, pelo “modelo económico” (leia-se “capitalismo”). Como entretanto ninguém tem soluções de varinha mágica e a crise obriga a mais sacrifícios por parte dos indivíduos/famílias e das empresas, essa “grande mudança estrutural” que a Fenprof pretende não chega, e a sua argumentação redunda em conservadorismo, no melhor dos casos, ou em hipocrisia, no pior. Para que as crianças não fiquem «enfiadas» nas escolas, talvez a Fenprof prefira, por exclusão de partes, que um dos cônjuges (mas e o que fazer no caso das famílias monoparentais?) não trabalhe – ou trabalhe menos horas -, o rendimento dos agregados familiares diminua, e com isso aumentem o seu risco de pobreza e as desigualdades sociais. É sempre bom saber quais as prioridades de cada um. "
hugo.santos.mendes@gmail.com

Caro senhor,
Apresento-me como mãe, educadora e um bocadinho conhecedora da realidade social e escolar da Europa e de Portugal.
O seu comentário baseado em estatísticas é completamente descabido, e não me leve a mal, eu vou passar a explicar.
Estamos a falar de crianças-seres humanos e mães-seres humanos, não estamos a falar de coisas quantificaveis! A verdade dos números para si, é para mim, que sou mãe, educadora e conhecedora das diversas realidades existentes na europa totalmente diferente. A relação da família com o mercado de trabalho da qual fala não é linear nem preto no branco, tem uma série de variantes que faz com que as suas estatísticas não passem de isso mesmo, números.
“ a taxa de emprego das mulheres em Portugal com filhos entre os 0 e os 16 anos é alta quando comparada com a maioria dos países da OCDE ficando apenas atrás, claro, do cluster nórdico, cujos valores são impressionantes, e não distante do Canadá, Holanda e Suíça. “
Diz que nós temos uma taxa alta de emprego mas temos porque necessitamos e de outra forma nos seria impossivél sustentar uma família, como tão bem refere mais à frente no seu artigo. Mas equiparar com a realidade nórdica é ridiculo, não existe comparação possivél !
Sim as mães nórdicas trabalham, mas trabalham a meio tempo, a quarto de tempo, têm um ano de licença de maternidade e a escola em qualquer país nórdico fecha às 4 da tarde o mais tardar e nenhuma criança está mais do que 6 horas na escola ou os pais são chamados à atenção, e as maioria das escolas são públicas! Por isso têm uma taxa alta de emprego feminino porque para o mesmo lugar têm duas mulheres/pessoas a trabalhar e assim se reduz a taxa de desemprego e se aumenta a qualidade de vida.
Este é um dos muitos pontos em que não é possivél olhar para as estatísticas e perceber o que quer que seja a não ser que se saiba do que se está a falar, o que não me parece o seu caso.
Acha que “(...)mais: Portugal mantém o quarto lugar quando olhamos para a taxa de emprego das mulheres cujo filho mais novo tem entre 3 e 5 anos. Ultrapassamos a Holanda, mas somos deixados para trás pela Finlândia, que se junta à Suécia e à Dinamarca no topo.” Sabe em que condições? Mais uma vez está a comparar países em que os horários, regalias e condições de trabalho nada têm em comum com a realidade portuguesa. As mães nos países nórdicos não trabalham 10 horas por dia, não passam duas horas no trânsito, não têm de pagar a escola dos filhos! As mães nos países nórdicos colocam os filhos primeiro, o trabalho em segundo e olhe para eles e olhe para nós! Elas não só trabalham menos como trabalham! O tempo de trabalho é realmente produtivo. Nós temos de por o trabalho primeiro porque não há creches do estado, porque qualquer colégio custa uma fortuna, e nós precisamos deles porque são os únicos que nos permitem fazer as horas que o patrão acha que devemos independentemente se o trablaho já esta feito ou não, porque vivemos numa sociedade de aparencias que trabalhamos muitas horas mas produzimos, na realidade, muito pouco!
Mas ainda falta falar do enriquecimento curricular “qual enriquecimento?”, o senhor conhece a realidade da maioria das actividades extra? Acha que é normal as crianças terem uma série de eactividades como educação física e artes fora do curriculo, são extras? Onde está a educação da criança no seu todo? Mas na realidades, não se pode enquadrar artes e desporto no currículo quando a maioria das escolas não tem um ginásio ou dinheiro para material, já para não falar de um palco para teatro, etc,etc, etc. Mas como agora são actividades extra-curriculares não tem importancia que não existam infraestruturas e que as crianças ao fim do dia vão jogar futebol,ou outro desporto qualquer, com a roupa que têm vestida e com ela vão para casa, porque nem balneários temos na maioria das escolas.
Sim é importante ter dois pais a trabalhar para diminuir a pobreza infantil, mas dois pais a trabalhar que cheguem a casa e tenham tempo de fazer os trabalhos com os filhos, de ir com eles praticar as verdadeiras actividades extra-curriculares, e fazer coisas tão simples como ir ao parque brincar, ou visitar amigos ou familiares. Não pais que trabalham dez horas por dia, passam duas horas no transito e chegam a casa e têm o quê? Duas horas para estar com os filhos, uma? Sim porque uma criança precisa de dormir pelo menos, 10 horas, por dia! ( Aqui poderia entrar nas ditas crianças hiper activas, mas nem vou por aí! )
Faço-lhe uma pergunta, é pai? Depois continuo, quando me responder.
Mas penso que o senhor e o nosso governo não podem olhar para o futuro do país como números e os usá-los para comparar com quem olha para o futuro do seu país com seres humanos.
Desculpe se o ofendi, mas penso que precisa de se informar antes de falar daquilo que não sabe!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Mudança...


Sempre pensei o que leva uma pessoa a criar um blog, simplesmente porque sempre me pareceu um grande acto de coragem. A coragem de expor a nossa vida!
No entanto, há muito tempo que sou seguidora de vários blogues, e facilmente me deixei fascinar por este mundo que nos põe em contacto com tanta gente que, de outra forma nunca conheceríamos, ou não!

A verdade é que depressa seleccionamos aqueles que têm algo a dizer, algo com que nos identificamos e, também encontramos outros interesses.

Bem, isto tudo para dizer que nunca soube se deveria, ou não, começar um blog. Mas heis que me decidi... Sempre gostei de escrever e este parece-me que é o momento!

Não sei se o que tenho para dizer tem interesse para mais alguém além de mim, mas pelo menos, serve para por em dia, o dia a dia, e guardar histórias dos meus filhos e do aprender a ser mãe. (Passa tão depressa!)

Serve também para tentar por-me em contacto com outras mães e pais, que sei que têm ideias, dúvidas e sonhos semelhantes aos meus, e que aqui teremos um sítio para conversar.

Isto tudo porque me encontro num ano que sei que vai ser de mudança, e aqui poderei desabafar e dar a conhecer todas as minhas descobertas neste processo, que não é só meu, mas sim da minha família.


Changes...
I always thought about what makes people begin a blog, simply because it always felt like a big act of courage, being able to expose ourselves in this way.
Never the less I've been thinking about doing it for a long time, since I follow several blogs and easily became fascinated with many of them, and with this world that connects people that wouldn't ever meet by others means, or not!
The truth is that we easily chose the ones that have something that appeal to us, something that makes us connect, and that sometimes teachs and shows us different ways of looking at common things.
All of this to say that I didn´t know if I should start a blog or not. But it seams like I've decided... I always loved writing and this is the moment to start my blog.
I don't realy know if I have anything interesting to say to someone, but at least it serves it's purpose of making me keep an up to date journal of my life, and my kids life. It really goes by fast!
It also can make me get to know other parents, that have similar ideas, dreams and aspirations, and here we will have a place to chat!
All this due to the fact that this year there are going to be lots of changes in my life, and here I can write all the things I find out and learn in this process, that envolves all of my family.